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Xanxerê precisa se preparar para eventos naturais severos


Xanxerê precisa se preparar para eventos naturais severos

A Câmara de Vereadores esteve representada pelos vereadores, Adriano De Martini, João Paulo Menegatti e Wilson Martins dos Santos, no Seminário Internacional “Gestão de desastres naturais: tornados”, ocorrido na manhã desta quinta-feira (27/08), em Brasília. O evento realizado em Brasília e promovido pela Comissão Externa que foi formada para acompanhar o estado de calamidade do município de Xanxerê, contou com a participação importante do especialista americano, Harold Edward Brooks do National Severe Storms Laboratory, do especialista brasileiro e professor Carlos Augusto Morales Rodriguez, (Centro de Estudos Meteorológicos da Universidade de São Paulo) e do pesquisador José Antonio Alavéquia (Coordenador-Geral do CPETEC/INPE).

Uma das principais constatações, durante o seminário, é de que o município precisa se preparar para novos eventos desta natureza. Segundo Harold a região vai continuar sendo rotas de eventos naturais severos. “Depois dos Estados Unidos, o sul do Brasil é a região mais propensa a ser atingida por tornados. Temos dados que comprovam e por isso é preciso que a região se prepare, pois eventos dessa magnitude podem ocorrer com mais frequência, principalmente pela mudança climática”, declarou o pesquisador durante a sua palestra.

Educação e Investimentos Tecnológicos

Harold Edward coloca a educação da população, investimentos tecnológicos e a construção de abrigos, nas próprias residências, como fatores importantíssimos para evitar tragédias maiores. “Os Estados Unidos podem ser exemplo para o mundo, já que temos a experiência de anos sendo atingidos por tornados que chegam a 500 por temporada. No nosso país, todos sabem como se comportar na hora que esses eventos severos acontecem. Quando detectamos a formação de tornados, todo o sistema funciona de forma simultânea. As pessoas são preparadas para tomar a decisão de soar o alerta. Este alerta é automaticamente soado pelas sirenes e também temos uma cultura de acompanhar emissoras de rádio e televisão que se encarregam de em poucos minutos disseminar a comunicação. Hospitais são notificados a se preparar com 90 minutos de antecedência. Comunicadas, as pessoas sabem exatamente como agir procurando os lugares mais seguros que são construídos nas próprias residências e também em locais públicos. Nossa experiência nos fez entender que era necessário criar a cultura de construção de abrigos nas próprias residências para evitar o atropelo no trânsito quando os alertas fossem emitidos. Com isso o próprio governo federal abriu linha de créditos para construção destes abrigos pelos próprios moradores”, declarou o Harold.

O especialista do National Severe Storms Laboratory destaca que o município de Xanxerê precisa ter um Radar Meteorológico que cubra a sua região, mas que só isso não adianta. “É preciso educar os previsores para que tomem a decisão de soar o alerta na hora certa. A criação de um aplicativo para celular também é de grande importância. Lá nos Estados Unidos todos ficam ligados a previsão em tempo real. A educação de nossas crianças também é muito importante. Palestras nos colégios salvam vidas e tivemos exemplos claros disso lá onde moro” disse Harold.

O especialista brasileiro e professor Carlos Augusto Morales Rodriguez, (Centro de Estudos Meteorológicos da Universidade de São Paulo) destaca “é preciso saber quanto nós queremos ficar dependentes dos outros para definir investimentos. Para implantar um Radar Meteorológico demanda recursos altíssimos, superando a casa de US$ 1,5 milhões. Mas não é só isto, um Radar Meteorológico tem um custeio em torno de 30% do seu valor ao ano e precisa que seja investido em técnicos e também em um sistema para que as informações sejam cruzadas e chegar com maior precisão a população. O Brasil precisa investir em tecnologia de ponta, pois eventos desta natureza, como aconteceu em Xanxerê, vão se tornar cada vez mais frequentes”, disse Carlos Augusto.

O professor da USP disse que seria impossível detectar o que aconteceu em Xanxerê, pois o município está do lado da zona de cobertura dos radares existentes na região. “Infelizmente a região onde está o município de Xanxerê, está há mais de 200 km de um Radar Meteorológico, o que fica impossível detectar”, completou Carlos.

Mas, como os tornados se formam?

Tornados costumam se formar sobre a terra. Eles iniciam quando uma massa de ar ascendente quente e úmida (que forma as nuvens de tempestade) encontra-se com uma massa de ar fria e seca. O ar seco e frio é então forçado para baixo.
Como a coluna de ar do tornado começa a girar ainda não é completamente compreendido pelos cientistas. Entretanto, já foi observado que a rotação começa a ocorrer quando temos cisalhamento do vento. Cisalhamento do vento é quando o vento sopra em diferentes velocidades em diferentes alturas. Por exemplo, o vento a 300m de altura sopra a uma velocidade de 8km/h e o vento a 1500m de altura sopra a uma velocidade de 40km/h, como vimos na ilustração acima.
Se esta coluna de ar com cisalhamento encontrar uma corrente ascendente que forma nuvens (as termas, como vimos aqui), essa corrente ascendente ganha energia e acelera-se. A chuva e o granizo da tempestade fazem com que o funil atinja a superfície. Quando a nuvem não está carregada o suficiente, o funil do tornado pode não atingir o solo.
Tornados também podem se formar sobre a superfície de lagos, rios e oceanos. Quando o funil de nuvens em rotação atinge a água, a água é então sugada, formando o que chamam de tromba d’água. As trombas d’água são bem menos destrutivas que os tornados: sua velocidade é da ordem de 80km/h. Como a superfície da terra aquece muito mais do que a superfície da água, as correntes de ar ascendente (termas) que se formam sobre a terra são bem mais intensas.
De acordo com a NOAA, 69% dos tornados são considerados fracos. Tornados fracos duram menos de 10 minutos e possuem ventos com aproximadamente 177km/h. Já os tornados de intensidade mediana correspondem a 29% do total de tornados, com ventos entre 110km/h e 330km/h, com duração de 10 a 20 minutos. E os tornados intensos correspondem a apenas 2% do total de tornados, com ventos acima de 330km/h e duração de aproximadamente 1h.
“No caso de Xanxerê e região, a população pode ficar atenta enquanto os instrumentos que permitem a detecção do tornado não sejam instalados. Antes destes eventos acontecer, a grande quantidade de raios pode ser um alerta para que a população tome cuidado, já que, antecipando a chegado do evento os raios acontecem de forma muita intensa”, disse Carlos Augusto Morales.

Investimentos no Estado
O Secretário de Defesa Civil de Santa Catarina, Milton Hobus, participou do evento e destacou o investimento que o estado vem fazendo na área. “Até final de 2016 devemos ter dois novos radares meteorológicos instalados em Santa Catarina, sendo um no oeste do estado e outro no sul que vai cobrir todo o Estado. Além disso, estamos em fase de construção do novo Centro de Monitoramento e Alerta, previsto para ficar pronto no segundo semestre de 2016, quando todo o novo sistema da Defesa Civil deverá estar operando. Vamos ter informações atualizadas, com a participação efetiva dos municípios, que vão abastecer as plataformas,” afirmou Milton Hobus.
Hobus também lembrou também de um sistema inteligente da Defesa Civil com informações sobre mapeamento de áreas de risco, planos de contingências dos municípios e todas informações sobre a cidade que está em desenvolvimento. “também estamos implantando um sistema interno e vamos colocar a disposição dos catarinenses, o aplicativo que será uma das principais ferramentas de orientação da população”, declarou o secretário Hobus.
Para Harold o estado está no caminho certo, “Santa Catarina está fazendo tudo que precisa ser feito. É claro que no início muitas coisas não acontecem como o desejamos, mas vamos se adequando conforme os eventos vão acontecendo. Nos Estados Unidos também é assim, vamos aperfeiçoando conforme o evento”, pontuou Harold.

Estamos desprotegidos

Segundo o Deputado Pedro Uczai o Seminário apontou para a necessidade de ações concretas como a ampliação do número de radares meteorológicos e outros aparatos tecnológicos com o objetivo de ter a informação do evento climático antecipadamente. A partir disso, criar um sistema nacional que possa integrar todas as informações e disponibilizar de forma instantânea para as autoridades nos estados e municípios para disparar o alerta à população em caso de ocorrência de tornados. “O segundo lugar onde tem mais tornados no planeta é a região sul do Brasil. Nós estamos muito atrasados nestas questões de prevenção e por isso vamos propor iniciativas legislativas para corrigir essas distorções”, destacou Uczai.

Para o presidente da Câmara de Vereadores de Xanxerê, Wilson Martins dos Santos, fica claro que município precisa se preparar para outros eventos futuros, “a gente torce para que não ocorram, mas o que ficou claro aqui é que estamos na rota dos tornados e que podem sim ocorrer novamente. Precisamos criar um fundo, educar nossa população, equipar os organismos de respostas rápidas, entre outras coisas que vão ajudar a salvar vidas, casos esses fenômenos voltem a acontecer no município”, destacou Wilson Martins.

O vereador Adriano De Martini reforça as colocações do presidente do legislativo e destaca ainda que o município, o estado e o país precisam fazer um termo de cooperação com os Estados Unidos, “temos que nos espelhar em quem conhece do assunto. Pudemos sentir, no seminário, que estamos totalmente despreparados, apesar do belíssimo trabalho feito pela Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, mas precisamos buscar as tecnologias, os conhecimentos e os modelos de estruturas para que possamos assegurar o menor número de vítimas casos os eventos voltem a acontecer”, concluiu o vereador.

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